Etnias é uma série sobre nossa essência, e sua influência em nossas vidas. Parte dessas essências reagiram com os elementos presentes na vida neste território, se transformando em algo novo, parte se mantém intacta na memória e tradição de nossas trajetórias.

Essa paleontologia de nossas essências constitui um esforço no sentido de compreendermos porque somos como somos, no âmbito da psicologia individual e coletiva. Devemos nossa identidade enquanto povo ao amálgama de dezenas de nações ao redor do mundo.

Somos o resultado de uma longa odisséia antropológica e social, reunidos entorno de uma mesma cultura, e uma mesma língua.

Em Etnias, propomos uma observação sobre os valores, técnicas e conhecimentos conscientes e inconscientes que se expressam no domínio arquetípico.

Em cada episódio seremos conduzidos por um personagem em sua vida cotidiana, suas memórias e sua história familiar, com todos os elementos herdados de nossos antepassados que contribuem para o que somos hoje enquanto indivíduos e coletivamente enquanto nação.

Nosso foco não está em nossas diferenças e, sim, naquilo que nos conecta enquanto uma só humanidade.

Etnias reconhece a força da identidade cultural de cada grupo, ao mesmo tempo que celebra sua conexão com todos os demais.

A cinematografia de "Etnias" é baseada na experiência de Fabio Knoll viajando pelo país como fotógrafo, quando o desafio diário era conseguir contar uma história sem palavras em uma sequência de imagens e pensamentos, lidando com a vida como ela é e utilizando de forma criativa a luz natural.

O ato humano fica circunscrito nos objetos culturais, nos utensílios, na configuração espacial das construções, das cidades, na disposição dos objetos em sua casa, seu quarto; tudo isso carrega a marca de uma ação humana. Esses serão os fios condutores de nossa narrativa.

A câmera é guiada por um rigor estético profundo, íntimo, incisivo, buscando um retrato psicológico profundo do sujeito por meio de uma abordagem sensível e cuidadosa. A busca por uma intervenção mínima na verdade cênica, embora dentro dela, participativa e conduzida pelas emoções.

Aqui, tomamos a câmera como se fosse um pincel. O uso de um instrumento que permite uma aproximação com o sujeito, quando há a sensação de que o fotógrafo não impôs nada, mas, em vez disso, deixou que o próprio assunto gerasse, ditasse e determinasse a composição a partir de suas próprias formas e relações.

O sucesso nesse esforço requer uma observação aguçada, uma mente aberta e simpatia pela natureza das coisas.