ETNIAS é um documentário de longa-metragem que investiga a formação cultural e identitária do Brasil a partir do encontro entre diferentes povos, tradições e modos de vida.
O projeto parte da ideia de que o Brasil é um caldeirão de raças e culturas fundidas pelo calor do tempo e da história — e que compreender essa fusão é fundamental para entender quem somos como nação.
A obra busca redescobrir saberes esquecidos, valores e tradições, revelando como as comunidades de imigrantes e descendentes espalhadas pelo território nacional preservam práticas e modos de ser que ajudam a construir nossa identidade cultural.
Somos o resultado de uma longa odisséia antropológica e social, reunidos entorno de uma mesma cultura, e uma mesma língua.
Em Etnias, propomos uma observação sobre os valores, técnicas e conhecimentos conscientes e inconscientes que se expressam no domínio arquetípico.
O documentário se organiza como uma série de retratos poéticos de comunidades imigrantes que mantêm vivas suas tradições ancestrais.
Cada capítulo inicia com um personagem, situando a comunidade em sua origem histórica, e mergulha em sua vida cotidiana — os gestos, a língua, a comida, a música, as festas, a arquitetura.
O filme avança da coletividade para o indivíduo, explorando relações íntimas e psicológicas, e encerra com um elemento cultural preservado ao longo das gerações, como símbolo de resistência e continuidade.
As histórias são contadas pelos próprios protagonistas, compondo um testemunho coletivo: múltiplas vozes que, entrelaçadas, formam a voz da humanidade.
Etnias reconhece a força da identidade cultural de cada grupo, ao mesmo tempo que celebra sua conexão com todos os demais.
A cinematografia de Etnias nasce da experiência pessoal de Fabio Knoll como fotógrafo documental, nas viagens pelo Brasil onde o desafio era contar histórias sem palavras — apenas por imagens, observação e luz natural.
O ato humano fica circunscrito nos objetos culturais, nos utensílios, na configuração espacial das construções, das cidades, na disposição dos objetos em sua casa, seu quarto; tudo isso carrega a marca de uma ação humana. Esses serão os fios condutores de nossa narrativa.
A câmera é guiada por um rigor estético profundo, íntimo, incisivo, buscando um retrato psicológico profundo do sujeito por meio de uma abordagem sensível e cuidadosa. A busca por uma intervenção mínima na verdade cênica, embora dentro dela, participativa e conduzida pelas emoções.
Aqui, tomamos a câmera como se fosse um pincel. O uso de um instrumento que permite uma aproximação com o sujeito, quando há a sensação de que o cineasta não impôs nada, mas, em vez disso, deixou que o próprio assunto gerasse, ditasse e determinasse a composição a partir de suas próprias formas e relações.
Esse método exige observação aguda, mente aberta e simpatia pela natureza das coisas, resultando em uma estética sensível e orgânica, de mínima intervenção e máxima presença emocional.

